Então, vamos recordar…
Quando me dei conta de estar indo a M. Azul? - Em flashes de memória de mais de setenta anos, vejo bem o Sítio (Granja Cruzeiro) : A Porteira, o Portão, construídos pelos irmãos (até hoje guardam, impecáveis, o formato original, com seus chapiscos bem graúdos e a mesma cor de origem). Recordo-me da confecção das Estrelas do Cruzeiro do Sul (testemunhas perenes de toda uma História), na Fundição do INT e que causaram muita expectativa, quando colocadas na coluna à esquerda, ao se entrar no Sítio: faltava uma estrelinha. Não me recordo qual, mas provàvelmente a menorzinha, que se adentra na Constelação, talvez pela dificuldade, visto o seu tamanho, em ser moldada como suas quatro irmãs. Mas eis que, só depois, veio juntar-se a elas.
O “Bougainville” roxo (de todas as côres, é o que me traz recordações e saudades – chego até a não gostar), plantado, crescido e florescido, alí, aos pés da Porteira.
Pedriscos colocados depois, na Ladeira, para que os carros subissem sem dificuldades. Tudo calculado, com cuidado, sem desperdícios, sempre Godô à frente da Contabilidade. Sobe-se a Ladeira barrenta: à esquerda, acompanham-na Touceiras de Bananeiras, das bananas d’Água, da Terra e, mais raramente : da Prata que, quando colhida, era motivo de Festa!
- “Cuidado, aí tem cobra!” – falavam as vozes da experiência! Pior é que tinha mesmo!
À direita: o barranco com seu capim nativo que servia para preservar aquela encosta. Depois, viria o Quicuio que o Bapo bem lembrou!
Casa Pequena à Esquerda, do caseiro, com seu terreno tratado à moda: uma Nascente d’Água que deu muitos cabelos brancos ao Godô, desejoso de, com ela, alimentar o lago dos patinhos e dos gansos (festeiros com a nossa passagem), logo ali junto. Afinal, até hoje, não sei se secou!
Essa Casinha à Esquerda, sabe até falar, se lá por perto nos sentarmos e nos propusermos a escutá-la. Ela nos irá contar sobre Tantos e Tantos anos de Pura Felicidade para nossos pais, para nós, então crianças, e, para todos os que por lá passaram. Ela fará desfilar na nossa lembrança, seus gentis moradores até os dias de hoje, os anos a fio que com ela nos encontramos e que, naquele local, registramos, marcamos, todos os acontecimentos que nos trouxeram aonde estamos hoje.
Subindo um pouco mais, a Casa de Baixo, sua varanda simples, telhado sustentado pelas vigas de eucalipto, chão grosseiro de concreto, redes primitivas…, as paredes divisórias sem finalização com o telhado (pois forro, não existia). É o Galpão de hoje!
Vamos recordar: o fogão a lenha (“da Joana”) que, tanto nos preparava seu cafèzinho, ovos de gema dourada, fritos na manteiga e bolinhos de milho, servidos quentinhos em que, abertos, se colocava aquela manteiguinha… como nos esquentava a água para o banho de balde, na banheira, até que o engenhoso Godô introduziu sua “tartaruga”que, pelos choques, muitos tinham medo de usar!
Já mencionei a “Guerra de Travesseiros” à noite, entre os primos e, muitas vezes, com nossos amigos convidados. Os vagalumes e morcegos, fazendo parte do contexto, passavam para uma visita, entrados pelas aberturas paredes-telhado. Quando era frio, era mesmo frio!!! Eildinha, sempre com seu tijolo quente, tirado da lenha do fogão, para esquentar-lhe os pés. Quando chovia, muita lama (para podermos andar nela descalços), quando caía granizo, eram aparados em leiteira e panelas para se beber água gelada. E geladeira? Não me recordo de geladeira, a não ser muito tempo depois… Quem saberá quando chegou?
Garagem-chocadeira dos pintinhos do Godô, abrigo dos coelhinhos, cheiro de cocô de galinha e palha!
Ali, junto, as Amoreiras que, que fim terão levado? Foram as primeiras que conheci na Vida!
Houve tempo da Vaca Leiteira, Zizidro trazia leite fresquinho de manhã. Não sei por que por tão pouco tempo! Não deu certo?…
Foram muitos anos de puro divertimento, alegria, amizade, amor… Férias, Família, Caseiros, amigos, cachorros, cavalos. Micuins, carrapatos, “bernes”, cobras, soro anti-ofídico, caçadas na mata, apito para atrair pássaros e o som do nhambú, meu braço com pelos longos, Bebeto dizia ser muita carne de caça comida (e eu, toda prosa, acreditava; eu nem comia caça!). Sapos e seu coachar, Noites de Lua Cheia, Luar do Sertão, Estrelas Cadentes, Caruru na Horta pra comer com polenta (angú) e carne ensopada, humm!!!
Rolar Barranco, sim, lá do alto, junto à Casa da Joana (pertinho da Figueira Braba, né Bapo?). Escadinha feita com enxada, um grande buraco e, lá vem “Bolota” ladeira abaixo! Lava-pés, tamanquinhos de madeira, café, tudo na Casa da Joana, à noite. Lanterna para se chegar lá, ou a qualquer lugar, a não ser Noite de Lua. Lampião a querosene, Godô é quem sabe e também já conhecia a disputa pela ”carona” debaixo do seu “Sabiá”, Poncho tão quentinho! Brincadeiras de corda, das Cadeiras, Amarelinha, Caracol, Bolinhos de terra ou de lama… “Burro em Pé” e “Burro Deitado”…
Tempo vai, tempo vem, Casa de Cima, estrada cortando o Morro, passando por trás da Caixa d’Água tão antiga, que puxava água da “Mina”, que desafiou Godô tantas vezes! Pitangueiras, Capim Limão… Ah! a Mina, tão visitada, água límpida, tinhorões-copo, atenção às cobras corais… cuidado com o atalho estreito, às vezes escorregadio com a chuva… Os Vaniers, lá embaixo…
Casa de Baixo continuou seu papel, abrigando muitos ainda e, a De Cima, toda nova e faceira, Vitória Conquistada, tanto tempo de espera, primeiro forro foi eucatex, depois veio a madeira, geladeira então, eu me lembro, inauguração do chuveiro elétrico “choque”… Gás, fogão a gás… Ai! e Aquele paneleiro de Alumínio?
Lá do alto então, víamos chegar Sr. Hilário (vindo da Fazenda da Cachoeira), cesto farto de frutas, ora nêsperas, ora bananas, seu “rolinho” proteção, sobre a cabeça, suas botinas de couro mostarda. Já subia a ladeira anunciando sua chegada… Homem simples e lutador, que fim terá levado? Chegava suado, cansado… Depois de nos vender o que tinha e do devido descanso, seguia seu rumo…
Não posso, é impossível descrever todos os episódios desta vivência Feliz e Sadia. Aqui está, apenas um começo, uma lembrança
do aspecto físico da Granja Cruzeiro e alguns momentos passados, apenas, dentro das “paredes” do Sítio.
Viria ainda o período da “jardineira” da Casa Nova (o que nela plantar?), da disputada cama de estrado de mola, das mesas de cabeceira cheias de botas, tamancos e, sapatos velhos e empoeirados, das Semanas Santas com o Ovo de Chocolate (gigante e cheio de surpresas) e o de Acúçar Candy (beleza e delícia que muitos não conheceram), do Churrasco de Carneiro com Churrasqueira cavada na Terra (pilotado pelo papai-vô Arnaldo), ”Noites de dança” ao som do Gramofone do Godô, das Mesas Fartas de Almoço e Lanche, com tantas bocas para comer… A fase inesquecível do saboroso Pão Tatu com a mais que pura Manteiga sem Sal do Zèzinho.
E guardo muito carinhosamente na memória, a simplicidade com que nos acompanharam todo o tempo, a Família da Joana, seu marido, Izidro, seus filhos e mais o sobrinho Mané, que foram igualmente seguidos por Sr. Adalberto e, seu filho, Guaraci.
Não continuo agora, mas outras lembranças hão de vir, dessas, de dentro das “Paredes da Granja Cruzeiro”.
E, fora dela : Morro Azul, será um Capítulo à Parte…
O “Sítio da D. Úrsula” sempre foi esse seu nome, para mim. Seria “Remanso…”?
Sua cerca, que me lembre, era mesmo o que a Leda disse: muro da cor da casa, até certa altura (uns 50 cm), com um madeirame (duplo?) pintado de marron (de uns talvez 50 cm?).
Beijos
célia
A geladeira foi trazida pelo general Ciro Rezende, que comprou o sítio dos 5 irmãos, e de quem compramos de volta; o sítio, e a geladeira.
Até o advento desta modernidade, as refeições eram feitas para durar no máximo 1 dia, na época de inverno. As compras eram diárias, lá ia “seu” Adalberto com o carrinho de mão até a venda. A água ficava em moringas e talhas de barro. Gelada, só Coca-Cola na venda do Mendes. Ou qdo chovia granizo. Mais tarde, quando dr.Ademar (pai do Newton) fundou o Parque Anacã, conseguíamos um pouco de gelo.
Bem, se Cara Santa é para tomar na temperatura ambiente, prá que geladeira?
É… mas cerveja tem que ser tomada gelada!!! Na venda do Mendes vendia cerveja????
Resposta tardia à Kátia :
Até o advento da geladeira, Coca-cola gelada, era mesmo na, ou da Venda do Mendes.
Com a idade que tínhamos na época, não chegáramos ainda à “Era da Cerveja”. Os adultos, que eu me lembre, eram mais chegados ao Vinho e, com o frio, à “Cara Santa”.
Tomou-se mta limonada, mta Groselha e refrescos artificiais, aqueles vendidos em sachês, tudo preparado c/ a água fresca da Moringa.